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Em busca do esboço número 7

Clica logo no link e vai ler a revista!!!!

O título desse post e que também é o título de uma série de três ilustrações, denota uma impossibilidade. A verdade é que o esboço de número 7 desapareceu já a algum tempo. Não, ele não foi roubado ou perdido e sim dado. A melhor forma de roubar algo de alguém é fazer com que o objeto do furto se torne um presente. E esse foi o fim do pobre número 7.
Os trabalhos de ilustração publicados na Revista Conjecturas interrompem um longo período de ostracismo e são um presente de aniversário especial. Se o caro leitor tiver paciência e curiosidade, vale a pena a visita.
Que o número sete não volte mais. Como um amor platônico da infância que volta desfigurado pelo tempo. A propósito, me sinto velho, mas logo passa.

Close to the Ghost Rider

“Pare, você está atrapalhando a Karen”. Com essa frase, Nicholas Cage se concentra e prepara para saltar de moto em um campo de futebol, de meta à meta, passando por cima de seis helicópteros com as hélices em movimento. Eu escrevi Nicholas Cage? Não….quis dizer Johnny Blaze, o cara que vendeu a alma ao demônio, e que chega em casa ligando o som e ouvindo Carpenters, ouvindo Karen, na verdade.
Karen tinha uma voz que não era desse planeta. Os irmãos eram e são muito criticados por serem “sabor baunilha”, enjoados, assexuados e anacrônicos já em sua época….mas que voz tinha Karen. Não é de estranhar que mesmo um homem com a alma condenada e lutando por uma segunda chance se sinta bem ouvindo músicas que fazem parte da nossa trilha sonora, tais como “Close to you”, “Superstar” e uma das minhas preferidas…”Yesterday once more”.
Já tive o meu momento Johnny Blaze ouvindo Carpenters em 2001, e Karen foi importante.
Quanto ao filme, nem precisa dizer que quem curte quadrinhos se sente como uma criança com um falcon novo (com olhos de águia), precisa?

Quanto a suposta facilidade com a qual o Motoqueiro Fantasma derrota seus inimigos, só tenho a dizer que além de ser o Motoqueiro Fantasma ele é o Nicholas Cage, ou seja, ele é o cara.

Em busca da Felicidade

Ir ao cinema sozinho é um hábito que herdei com meu velho pai e que tem muito menos a ver com a solidão que com o trânsito ou a chuva que te impedem de ir pra casa.
Ao sentar na cadeira para assistir em Busca da Felicidade, duas coisas passam pela sua cabeça, a primeira é que você pensa “eu não gostaria nunca de estar na pele desse cara”.
Não posso chamar Em busca da felicidade de uma bela surpresa, porque eu já esperava bastante do filme, mas me surpreendeu no sentido que é um belíssimo drama sem os tradicionais clichês aos quais estamos mais do que acostumados.
O drama financeiro de Chris Gardner, personagem de Smith, que aliás está excelente, enquanto luta por um estágio e o amor pelo filho são retratados de forma sensível e fogem daquelas cenas propositadamente kitsch, nas quais sobe aquela musiquinha e faz os olhos da platéia arderem. Se você chora, é porque o filme toca em pontos interessantes. O que pra uns não é nada (tinha um povo rindo sem parar no fim do filme), pra outros é um soco mais poderoso que a esquerda do Rocky Balboa.
A segunda coisa que passa pela nossa cabeça é “se eu fosse o tal cara, poderia fazer e ter o que quisesse”. Sem contar que tudo é baseado em uma história real, mas isso não precisava nem falar, ali tem histórias minhas e de muita gente que conheço.

Somos todos simétricos, afinal.

O clímax é sempre algo que esperamos. Quando se sobe a montanha russa, a atmosfera é de espera, de ansiedade pela queda inevitável. Enquanto caímos, não pensamos em nada, exceto na queda em si; e quando chegamos embaixo queremos repetir a dose inúmeras vezes.
O rodopio da bailarina só nos fascina pela capacidade desta de voltar ao equilíbrio perfeito depois de um movimento de aparente desequilíbrio inusitado. O refrão da música, ou o seu clímax só nos provocam a fruição absoluta na medida em que saímos de um estado quase letárgico e a ele retornamos, tendo passado pelo paraíso (com o clímax do sexo, acontece com certeza fenômeno semelhante).
Sentados diante de uma grande tela de cinema, esperamos que aquela série de imagens estáticas nos transportem e depois nos deixem são e salvos em nossas cadeiras. O próprio filme em si mesmo tem o seu climax, intermediado por dois pontos de absoluto equilíbrio.
Sentados no carrinho da montanha russa depois da grande queda, talvez seja a hora não de voltar à fila para uma “nova”, mas sim para buscar novos desequilíbrios, que serão percebidos uma vez que retornamos ao ponto onde tudo começou.
É muito bom voltar ao equilíbrio inicial, colocar simetria nas histórias de nossas vidas (afinal não somos todos simétricos?). É muito bom estar pronto pro próximo salto, ou o próximo filme, ou a próxima história.

Nas catacumbas da mente

As telas, ou outras obras de arte que as vezes descobrimos decorarem os corredores do nosso pensamento.

Ansiedade - Edvard Munch - 1894

Zabelê zumbi besouro

Por Dr. Jekyll ou Mr. Hyde

Benza Deus, maldita inspiração dormente, incapaz de forrar meu cérebro com desenvoltura divina e conversação envolvente para os demais. Sinal dos tempos, eu diria.
E esse tempo implacável que atropela e não socorre os mal curados pela perda da juventude?
Cruzes, to ficando velho…to enrugando aos poucos e me deparando com as décadas que já carrego nas costa.
Essa palavra “juventude” hoje soa tão imprópria para mim que até me faz refletir. Então começo, mais logo paro. Não quero dar o braço a torcer.
Prefiro fingir o que não sou a achar que nunca serei.
Será que é por isso que me falta a imaginação? Será que ela se sente melhor na cabeça dos mais jovens, porque lá dentro tem espaço sobrando para ela se alastrar por completo?
Putz! A minha cabeça deve é estar cheio de cobranças, de planejamentos, de alguns compromissos, de algumas economias.
Realmente não sobrou muito espaço para a imaginação.
E sem imaginação fica difícil se sentir um jovem outra vez.
Não me sinto contente com isso. Mesmo que não aceito hoje a verdade ainda estou na procura de um antídoto, algo que me deixe jovem de novo, por completo.
Sinto falta daquelas velhas burradas, de dizer palavras impróprias para o momento, de fazer as coisas sem pensar e de pensar e não fazer as coisas…irônico como não suportava nada disso antes.
Pois bem, antes que os bem envelhecidos venham me criticar dizendo que não estou aproveitando a vida pensando dessa maneira, saibam que posso estar envelhecendo mas que continuo a gostar das mesmas coisas que sempre gostei.. desenho animado, piadas de sacanagem e beijo-abraço-aperto de mão. Puteiro eu não freqüento e revista de mulher pelada nunca me interesaram. E sei que dizendo isso estarei cutucando muito nego que eu conheço.. já estou até na espera de um revide…bem no meio das bolas se bem os conheços.
Fica aqui o meu lamento e o meu contento.
Porém a minha procura não cessou. Se a juventude já era, quem sabe a imaginação não possa voltar e me tratar com mais carinho e compreensão dessa vez?

Até.

Sobre os nossos vícios e manias

Todo mundo tem lá as suas manias. Além disso, vivemos dizendo que apesar de ficarmos o tempo todo, todos os dias com determinados comportamentos, pensamos que podemos parar quando quisermos. Estou escrevendo isso porque o post “pelo tempo de um cigarro” teve uma repercussão maior que eu imaginava. Talvez por se tratar de um lance bastante pessoal, e até por isso criei a seção “Confissões de uma garotinha”, pra guardar esses textos aí.
Todos nós temos os nossos vícios, nossas manias, nossos fetiches. Todos colocamos pra fora de alguma maneira pessoal nosso desconforto com o mundo, alguns fazem isso fumando, outros fazem isso colecionando coisas velhas, ou não jogando nada fora. Enfim, todos nós somos meio desajustados, como se não fôssemos mesmo desse planeta aqui.
Acredito que algumas coisas podem agir como vetores desses processos, tais como uma partida, uma chegada, uma viagem. Eu descobri um vício novo, e isso está longe de me incomodar. Posso parar quando quiser! Ou será que não posso? Com certeza se fosse o cigarro, seria mais fácil.

Pelo tempo de um cigarro

Que a vida é curta, todo mundo sabe. Que os relacionamentos vêm, voltam, aparecem, somem, surpreendem, todos sabem também. O tempo é o senhor de tudo, dizem.
Os relógios marcam as horas e os minutos, o coração bate e marca nosso tempo de vida e pela vida. Músicas vêm e vão e passam a compor nossa trilha sonora pessoal, elas também vão se perdendo no tempo bem devagar, para depois voltar em reminiscências de amores perdidos, pessoas sumidas e momentos diversos.
No filme Dois Córregos, de Carlos Reichenbach, o personagem de Carlos Alberto Ricelli diz que o momento quanto mais efêmero, mais permanece. Se isso for verdade, o mais breve momento pode se tornar algo inesquecível. Eu posso dizer aqui que tenho imagens na memória que duraram segundos na vida real e se repetem em minha mente por inúmeras vezes desde então.
Ontem, pelo tempo de um cigarro, muita coisa aconteceu, muito foi dito e entendido, embora eu tenha certeza que outros cigarros virão, assim como outras revelações e acontecimentos, esse foi o primeiro.
E eu não vou esquecer desse cigarro em especial. Não, eu não comecei a fumar, e nem vou, mas posso dizer que gostei desse.

E tinha um giz dentro da caixa!

Você leitor ou leitora com certeza conhece a sensação de se deparar com um objeto antigo esquecido dentro em algum lugar. Quando você o esquece ele parece não ter nenhuma importância e até por isso mesmo ele é esquecido, por não ser importante.
Tempos depois, ao levantar um móvel ou abrir uma caixa, lá está ele, como uma cápsula do tempo, como uma máquina que te leva ao passado e faz você sentir o cheiro, ouvir os sons e tudo mais. Hoje tive uma dessas lembranças boas. Escrever aqui é a forma de compartilhar com o mundo.
Pra vocês pode ser só um pedaço de giz, pra mim é o meu pedaço de giz favorito, símbolo de um tempo que passou e de outro que está chegando, que chegou.
Então vamos deixar a caixa aberta e deixar a esperança sair.

Giz
Legião Urbana
Composição: Renato Russo

E mesmo sem te ver
Acho até que estou indo bem
Só apareço, por assim dizer
Quando convém aparecer
Ou quando quero
Quando quero

Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
Pra ser honesto
Só um pouquinho infeliz

Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem…
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei
Está tudo bem, tudo bem…
uh…uh…

Eu tenho medo da Mulher Maravilha

De tempos pra cá descobri que minha relação com Lynda Carter era baseada em uma mentira. Toda aquela inocência de meus oito ou nove anos foi embora quando revendo o episódio piloto da série produzida nos anos setenta e que fez com que a imagem de Lynda Carter praticamente se fundisse às mais modernas representações da Mulher Maravilha, foi embora de repente.
A cena crucial na qual Hipólyta (sim, trata-se da cultura de massa apropriando-se de um elemento da cultura erudita, no caso Hypólita era, na mitologia grega, a rainha das amazonas), presenteia sua filha Diana, de partida para os EUA, com um uniforme que possui “as cores da liberdade e da democracia”, um horizonte apocalíptico se abriu diante dos meus olhos. De fato, não é necessária muita capacidade de abstração pra descobrir que a referida heroína andava por aí em trajes mínimos que parecem retalhos da bandeira americana (certo, tinha um enchimento básico na bunda, mas quem ligava?)

A personagem foi criada em 1941, mesmo ano em que foi criado o Capitão América, outro que anda por aí num pijama que remete à bandeira deles. Nem precisa falar….quem foi às aulas de história sabe que a Segunda Guerra Mundial começou em 1939 e em 1941 nossos amigos americanos defensores da liberdade entraram na briga.
Não à toa, o criador da Mulher Maravilha é o psicólogo que é um dos responsáveis pelo detector de mentiras, aliás a própria andava com um, na forma de um laço mágico.
O pior de tudo, é o furor provocado em uma mente masculina, que é ontologicamente fraca, por uma morena de olhos azuis e de corpo atlético com uma mensagem ideológica à tira-colo. Corro pra ela ou dela? Acho que essa é uma pergunta sem resposta. Resolvi ir mais além, e revendo aquela abertura que é bem bacana e que tem todos os elementos da Pop-art, principalmente da estética de Roy Liechtenstein, descobri que a letra do tal tema corrobora com esses ideais pós-segunda guerra mundial.
Dentre os versos, alguns me chamaram a atenção pois são, do meu ponto de vista, praticamente uma oração ao capeta. “Change their minds” e “Change the world”. Parece coisa do Sr. Burns dizendo aos macaquinhos alados: “voem, minhas crianças”.
Uma mensagem ideológica forte, endereçada a toda uma geração de crianças e pré-adolescentes ao redor do mundo. Tudo isso na forma de uma mulher exuberante, ex-miss EUA na época. Segue aí a letra, é só seguir a bolinha luminosa. Eu tenho mesmo muito medo da Mulher Maravilha.

Wonder Woman Theme

Composição: Charles Fox

Wonder Woman!
Wonder Woman!

All the world is waiting for you,
And the powers you possess,
In your satin tights,
Fighting for your rights,
And the old red, white and blue!

Wonder Woman! Wonder Woman!

Now the world is ready for you,
And the wonders you can do.
Make a hawk a dove,
Stop a war with love,
Make a liar tell the truth!

Wonder Woman!
Get us out from under.
Wonder Woman!

All our hopes are pinned upon you,
And the magic that you do.
Stop a bullet cold,
Make the Axis fold,
Change their minds,
And change the world!

Wonder Woman!
Wonder Woman!
You’re a wonder!
Wonder Woman!

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