Que a vida é curta, todo mundo sabe. Que os relacionamentos vêm, voltam, aparecem, somem, surpreendem, todos sabem também. O tempo é o senhor de tudo, dizem.
Os relógios marcam as horas e os minutos, o coração bate e marca nosso tempo de vida e pela vida. Músicas vêm e vão e passam a compor nossa trilha sonora pessoal, elas também vão se perdendo no tempo bem devagar, para depois voltar em reminiscências de amores perdidos, pessoas sumidas e momentos diversos.
No filme Dois Córregos, de Carlos Reichenbach, o personagem de Carlos Alberto Ricelli diz que o momento quanto mais efêmero, mais permanece. Se isso for verdade, o mais breve momento pode se tornar algo inesquecível. Eu posso dizer aqui que tenho imagens na memória que duraram segundos na vida real e se repetem em minha mente por inúmeras vezes desde então.
Ontem, pelo tempo de um cigarro, muita coisa aconteceu, muito foi dito e entendido, embora eu tenha certeza que outros cigarros virão, assim como outras revelações e acontecimentos, esse foi o primeiro.
E eu não vou esquecer desse cigarro em especial. Não, eu não comecei a fumar, e nem vou, mas posso dizer que gostei desse.
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E tinha um giz dentro da caixa!
Publicado janeiro 29, 2007 r Confissões de uma garotinha 4 ComentáriosVocê leitor ou leitora com certeza conhece a sensação de se deparar com um objeto antigo esquecido dentro em algum lugar. Quando você o esquece ele parece não ter nenhuma importância e até por isso mesmo ele é esquecido, por não ser importante.
Tempos depois, ao levantar um móvel ou abrir uma caixa, lá está ele, como uma cápsula do tempo, como uma máquina que te leva ao passado e faz você sentir o cheiro, ouvir os sons e tudo mais. Hoje tive uma dessas lembranças boas. Escrever aqui é a forma de compartilhar com o mundo.
Pra vocês pode ser só um pedaço de giz, pra mim é o meu pedaço de giz favorito, símbolo de um tempo que passou e de outro que está chegando, que chegou.
Então vamos deixar a caixa aberta e deixar a esperança sair.
Giz
Legião Urbana
Composição: Renato Russo
E mesmo sem te ver
Acho até que estou indo bem
Só apareço, por assim dizer
Quando convém aparecer
Ou quando quero
Quando quero
Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
Pra ser honesto
Só um pouquinho infeliz
Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem…
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei
Está tudo bem, tudo bem…
uh…uh…