
Hoje joguei tanta coisa fora e vi o meu passado passar por mim. Olhando ao meu redor aqui por onde ando, vejo que o ambiente me parece muito mais pós-moderno que funcionalista. Me mudei há quase um ano e com a desculpa de manter o restante da casa arrumada tudo o que “não prestava” ou era esteticamente duvidoso veio parar aqui, no quarto do fundo onde escrevo essas linhas.
Em uma das caixas vieram umas agendas antigas, que já deveriam ter sido jogadas fora há tempos. A grande maioria das pessoas nas páginas finais já são fantasmas veteranos, espíritos com novos (nem tão novos) prefixos de telefone.
Mas lembrar o que passou pode ser uma experiência interessante. Revirando as páginas do ano de 1995, 12 anos atrás, portanto, vêm à tona os tempos da Editora Guia de Fornecedores, primeiro na rua Anhanguera, depois na Dr. Adolfo Pinto, avenida essa onde seria escrito mais um capítulo da minha biografia não escrita muito tempo depois.

No dia 17 de agosto, por exemplo há um recado do Pavan que diz pra eu não esquecer o CD do Pink Floyd, os gibis (não especifica quais), vontade de trabalhar (como se não deixasse isso sempre na editora, pra não esquecer) e 1,50 para o fliperama, que funcionava num outlet onde hoje está uma conhecida universidade.
Em 13 de outubro, uma data bastante duvidosa, encontrei anotações com a letra de meu velho pai, o que me encheu de uma “nostalgia infinda” como diz aquela música linda, e se os meus olhos ardem um pouco agora foi porque de vez em quando da uma saudade do cacete daquele cara.
A lembrança não podia ser melhor. Em uma das muitas sessões de fotos que fizemos juntos, o seu Vicente anotou as aberturas e as velocidades de todas as “poses”, bem como os respectivos fundos coloridos. Esse era meu pai. Esse foi parte do ano de 1995.