
Ir ao cinema sozinho é um hábito que herdei com meu velho pai e que tem muito menos a ver com a solidão que com o trânsito ou a chuva que te impedem de ir pra casa.
Ao sentar na cadeira para assistir em Busca da Felicidade, duas coisas passam pela sua cabeça, a primeira é que você pensa “eu não gostaria nunca de estar na pele desse cara”.
Não posso chamar Em busca da felicidade de uma bela surpresa, porque eu já esperava bastante do filme, mas me surpreendeu no sentido que é um belíssimo drama sem os tradicionais clichês aos quais estamos mais do que acostumados.
O drama financeiro de Chris Gardner, personagem de Smith, que aliás está excelente, enquanto luta por um estágio e o amor pelo filho são retratados de forma sensível e fogem daquelas cenas propositadamente kitsch, nas quais sobe aquela musiquinha e faz os olhos da platéia arderem. Se você chora, é porque o filme toca em pontos interessantes. O que pra uns não é nada (tinha um povo rindo sem parar no fim do filme), pra outros é um soco mais poderoso que a esquerda do Rocky Balboa.
A segunda coisa que passa pela nossa cabeça é “se eu fosse o tal cara, poderia fazer e ter o que quisesse”. Sem contar que tudo é baseado em uma história real, mas isso não precisava nem falar, ali tem histórias minhas e de muita gente que conheço.
